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NÚCLEO DE INCLUSÃO PELA ARTE - DREER

 

Na Madeira, o acesso à Arte para Pessoas com Necessidades Especiais, tomou forma com o Projecto OFICINA VERSUS, apresentado por Ester Vieira, em 1989 na Direcção Regional da Educação Especial e Reabilitação - DREER/SRE.

Constituiu, desde a sua formação, um espaço lúdico e oficinal de formação e experimentação técnica, criativa e artística, promotor de iniciativas, de eventos e de encaminhamento de pessoas que apresentem perfis artísticos.

Este projecto, comunga desde 1989, dos ideais e objectivos da ANACED, (Associação Nacional de Arte e Criatividade de e para Pessoas com Deficiência) e EUCREA (European Criativity Art for Disabled People).

 

Actualmente, figura na Lei orgânica da DREER e designa-se NIA- NÚCLEO DE INCLUSÃO PELA ARTE.

Ào NIA são atribuídas as seguintes funções: a) Concepção e acompanhamento de acções específicas, tendo como objectivo o desenvolvimento das capacidades artísticas e culturais de crianças e jovens com deficiência; b) Promoção e divulgação de experiências e projectos de arte e criatividade que contribuam para o desenvolvimento global dos intervenientes e para a modificação de atitudes sociais, face à pessoa portadora de deficiência.

 

O NIA, integra as seguintes modalidades - Expressão Dramática, Produção Plástica, Iniciação ao Teatro, Teatro Inclusivo, Dança Inclusiva, Orquestra Juvenil e uma Oficina de construção e produção instrumental.

 

O PROCESSO DE INTEGRAÇÃO E INCLUSÃO NO NIA

 

O conceito de Inclusão conota-se com o princípio da diversidade, tendo em conta uma sociedade que se pretende aberta e activa no respeito por todos os indivíduos, sejam quais forem as suas diferenças. A Inclusão, surge pois como um direito adquirido por todos os seres humanos, enquanto seres sociais, independentemente do seu estatuto sócio-económico, da classe social a que pertencem, do seu sexo, crenças, cultura, língua ou capacidades.

A Inclusão constitui-se num processo bilateral, a sociedade adapta-se para poder incluir nos seus sistemas sociais, pessoas com necessidades especiais e, simultaneamente, estas pessoas preparam-se para aí assumirem os seus papéis (1995, Romeu Sassaki).

À Arte em geral – Música, Teatro, Cinema, Dança, Pintura, Escultura, Fotografia, entre outras... - cabe, neste processo, um importante papel, uma vez que se faz usar de processos de comunicação/expressão, facilitadores da afirmação pela diversidade. Daí o papel da Arte como elevado agente de transformação, na mudança de atitudes sociais, face às pessoas com necessidades especiais.

A Inclusão pela Arte constitui, tal como o conceito de inclusão na sua globalidade, um termo temporário, nascido da exclusão, onde impera o preconceito social e a descriminação.

 

A filosofia de inclusão, sempre esteve subjacente ao Projecto OFICINA VERSUS, primeiro sob a forma de experiências de INTEGRAÇÃO em eventos e acções destinados ao cidadão não deficiente. Em Outubro de 2001, vincamos e afirmamos uma outra filosofia – a da INCLUSÃO – iniciando-se experiências de grupos constituídos por pessoas com e sem deficiência, nomeadamente no âmbito do TEATRO INCLUSIVO (Grupo de Mímica e Teatro) e da DANÇA INCLUSIVA (Grupo Dançando com a Diferença).

 

A Expressão Dramática e o TEATRO

A Expressão Dramática e o Teatro são linguagens irmãs, mas distintas na sua prática e funcionalidade. Podemos dizer que a primeira antecede a segunda, destinando-se essa a uma população de “idades” mais precoces. Entre nós, a prática do Teatro inicia-se a partir dos 14 anos não tendo a partir daí idade limite. Uma vez atingida a capacidade de entender e lidar com os personagens, as suas emoções e os seus enredos, podemos dizer que o Teatro é acessível a qualquer um que o queira praticar, salvaguardando-se que, para a apresentação pública de espectáculos é indispensável algum talento, uma base de conhecimentos técnicos e um treino e aperfeiçoamento contínuos. São estas as exigências que requeremos para o grupo de Teatro Inclusivo – Grupo de Mímica e Teatro, actualmente dirigido pelo profissional de Teatro Duarte Rodrigues.

 

A Orquestra Juvenil

A Orquestra Juvenil da DREER, teve a sua génese, primeiro sob o impulso dos professores Agostinho Bettencourt, Benvinda Carvalho, João Atanásio e José António Camacho, tendo iniciado a sua actividade formal em 1986 sob a orientação de João Atanásio que a tem dirigido pedagógica e artisticamente até à actual data.

Inspirada na pedagogia musical de Pierre Van Hawve e nos métodos Orff e Kodaly, a Orquestra Juvenil tem desenvolvido temas tradicionais do folclore português (nacional e regional) e estrangeiro, assim como temas de composições e arranjos inéditos.

Em Dezembro de 2000, editou e lançou o seu primeiro CD.

 

A DANÇA

Em Outubro de 2001, surgiu o projecto “Dançando com a Diferença” apresentado por Henrique Amoedo, implantando-se com ele a prática da Dança Inclusiva. Iniciou-se um processo com mais de 100 inscritos – professores, técnicos profissionais, técnicos superiores, pais e curiosos leigos com e sem necessidades especiais – durante cerca de nove meses estudou-se, praticou-se e lidou-se com o ser diferente na Arte de Dançar. No final deste processo alguns formandos (seleccionados pelo seu desempenho qualitativo) ficaram no prosseguimento desta actividade, desencadeando-se a formação de quatro grupos secundários e um grupo Principal que veio a herdar o nome do Projecto-piloto “Grupo Dançando com a Diferença“. Seguiu-se a 2ª fase deste processo – a montagem de um repertório para dançar e fazer espectáculos públicos. Está agora em curso um dos grandes objectivos do Projecto-mãe “a mudança de atitude social face ao artista com deficiência”. Neste percurso, inúmeras conquistas se têm desenvolvido, através de espectáculos de âmbito regional, nacional e internacional, marcados pela criação de coreógrafos de renome no meio artístico da dança. São exemplo disso, entre outros, Ivone Satie, Henrique Rodovalho e Clara Andermatt.

 

Os grupos que se apresentam em público, designadamente o Grupo de Teatro, o Grupo de Dança e a Orquestra Juvenil, trabalham com base em formação contínua, sendo procedimento comum, a abertura de inscrições ou de audições que, posteriormente, são confrontados com a qualidade manifesta no desempenho dos candidatos.

 

A Dança e o Teatro Inclusivo, trouxeram um novo desenho no futuro da Arte para as Pessoas com Necessidades Especiais.

É nessa trilha que pretendemos perspectivar os nossos objectivos, tendo sempre como filosofia a mudança de atitudes sociais e uma via profissionalizante de praticar a Arte. Experimentar linguagens originais e arrojadas, novas formas de olhar o corpo e a sua expressão, desafiar os formatos convencionais, envolver Instituições, cidadãos e profissionais, em suma, cruzar técnicas e competências de pessoas com e sem necessidades especiais.